... and Metal for All: [review] Moonspell em Guimarães
publicado por Lex
O dia já ia longo (depois de 8 horas de trabalho intenso, a uma 6ª feira, uma pessoa já nem vê bem o caminho para lado nenhum); a Protecção Civil aconselhava toda a gente a não fazer viagens desnecessárias por causa do frio, da neve e do gelo nas estradas; o ar estava tão gélido que pela primeira vez em muitos anos tive que usar um gorro de lã... Mas nada disso me impediu de me fazer à estrada (ou antes, à linha da REFER) mal saída do emprego para ir a Guimarães assistir ao primeiro grande evento de Metal do ano. O bilhete já estava no bolso desde o Natal e não ia ser uma vagazinha de frio polar revigorante que me ia tirar a vontade de fazer 70Kms para lá estar. Muito pelo contrário, tenho a dizer que uma temperatura assim só serviu para realçar ainda mais o nosso lado mais grim e frostbitten (ver crónica sobre os Impaled Northern Moonforest).

Amostra de neve em pleno centro de Guimarães.

E afinal de que concerto é que estou a falar?
Do de Moonspell + Square + Hacksaw + Studio Hunters, no Centro de Artes e Espectáculos de S. Mamede, em Guimarães. Pois claro.
Já me tinham falado muito bem do S. Mamede, e de facto as expectativas que eu levava confirmaram-se: um espaço excelente, fruto de uma recuperação muito bem feita, com todas as condições que se podem querer. Não saí de lá com os ouvidos a zumbir (pela primeira vez em 16 anos de concertos) e também consegui salvar as roupas e cabelo do pivete a tabaco, embora seja permitido fumar lá dentro. Aquilo sim, é ventilação decente.

Só tive tempo de pendurar os casacos e dar uma olhadela rápida pela sala antes que a primeira banda começasse a tocar. Havia um público ainda morno para receber os Studio Hunters e o seu som arockalhado. Não digo que sejam maus pois não o são, mas não me seduziram. No entanto, lá no meio estava um casal dos seus 60 anos muito entusiasmado com a prestação dos rapazes. Seriam metaleiros tardios? Seria promessa? Seriam avós de um deles? Fica a dúvida no ar.

Após uma breve actuação de 4 ou 5 temas e uma rápida troca de instrumentos em palco, entraram os Hacksaw para, então sim, se dar início às hostilidades. Do tal casal de 60 anos, a senhora subiu sensatamente para o balcão e o senhor manteve-se na plateia, onde só aguentou até à segunda música, durante a qual eu o vi a fazer uma retirada estratégica algures para longe do palco.
Os Hacksaw são uma daquelas bandas que nos proporcionam uma descarga gratuita de adrenalina só de os ouvirmos. São daquelas coisas de que eu preciso de ver de vez em quando para gritar ao mundo todos os insultos que me apetece dizer-lhe, mas sem abrir a boca. Eles são Death Metal do puro e do duro. Infelizmente ainda não têm cá fora nenhum álbum editado (o primeiro EP, "Rise and Disobey" está previsto para Fevereiro), e o seu MySpace apenas tem uma música para escuta, mas garanto aos apreciadores do género que ao vivo estes gajos demonstram já bastante profissionalismo e sobretudo um savoir-faire muito razoável no que respeita a lidar com o público. Público esse que, devo dizer, lhes reagiu de forma completamente diferente do que aos Studio Hunters. Pudera...
Fica na memória o seu grito de guerra na cidade de onde são originários: "Ó Guimarães!"


Seguiram-se-lhes os igualmente vimaranenses Square. A única coisa que eu sabia deles era que o vocalista se apresentava de túnica, tipo monge. Mas enganei-me. O vocalista apresenta-se não vestido de monge, mas com uma espécie de mistura de túnica com camisa de forças, e assemelha-se assustadoramente a Cristo.

Não obstante esse detalhe, gostei bastante destes tipos. Seguem sensivelmente a mesma linha sonora que os Hacksaw, embora visualmente assumam uma atitude completamente distinta. Têm uma boa empatia com o público (e vice-versa, não sei se por estarem a jogar em casa), sabem bem o que tocam e sabem estar em palco. Talento não lhes falta e espero vê-los a progredir como merecem.

E finalmente, o motivo que levou aquele maralhal todo até ali numa noite tão tiritante: os Moonspell.

Já falei tantas vezes dos Moonspell que chega a uma altura em que não sei o que mais diga sobre eles. Também já os vi ao vivo tantas vezes que a páginas tantas é quase como se estivesse a rever o mesmo concerto, pelo menos enquanto não sai um novo álbum para que incluam novas músicas na setlist.
No entanto não posso dizer que me canse de os ver. As músicas podem ser as mesmas, e posso já as ter visto um porradão de vezes, mas o sentimento que provocam está sempre lá. Não há nada que anule a emoção de uma "Alma Mater" cantada em uníssono, ou de uma "Opium", e mesmo a despedida típica (ou ultimamente, não tão típica) com a "Full Moon Madness" é sempre intensa, mesmo sabendo eu de gingeira que no fim o Fernando vai para a bateria dar um ar do seu batuque.
De modo que sempre que os Moonspell tocam relativamente perto de mim, estou lá.
Desta vez, as novidades resumiram-se à presença da decana "Goat on Fire" (finalmente!) e da novíssima "Dreamless (Lucifer and Lilith)", do Night Eternal. Se por um lado eu achei que o último álbum da banda teria temas mais apelativos a oferecer ao vivo (assim de repente ocorre-me uma "Spring of Rage" ou uma "Age of Mothers"), por outro achei que a "Goat on Fire" caiu que nem ginjas, trazendo até nós o belíssimo elemento cénico do ceptro com a cabeça de cabra - altamente transmontano, pelo que me diz respeito.

De resto, deixo apenas uma menção às imagens passadas em fundo que contribuiram para um ambiente mais envolvente; às Crystal Mountain Singers, que a cada actuação demonstram encaixar perfeitamente no mundo moonspelliano, tanto em músicas novas como antigas; e um pedido à banda: larguem a Luna. Já ninguém pode com a Luna. Ok, há sempre putos na plateia que a adoram porque se calhar até só conhecem essa (ou, com sorte, o Memorial); ok, passou imenso na rádio e na televisão, e até lhe foi feito um vídeo dentro das mais recentes tendências, que agradou à esmagadora maioria dos teenagers que acham que são gós. Mas convenhamos... a Luna é a nódoa na lista de temas da banda. É banal, é fraca e é cliché. Fiquei imensamente feliz quando ela passou ao lado da setlist do concerto na Maia, pelo que nem quis acreditar quando vi que a desenterraram novamente. Agora é fazer figas para que caia no esquecimento de uma vez por todas. Perdoe-me quem goste dessa música, mas é aquela de Moonspell que eu francamente detesto.
Portanto, balanço final: não foi o melhor concerto de Moonspell a que já assisti, mas valeu certamente a deslocação. Para isso também contribuiram as bandas de abertura, obviamente, o ambiente algo intimista proporcionado pela própria sala e o convívio que se gera sempre nestas situações. Desengane-se quem pense que um concerto/fest de Metal só vale por aquilo que se passa em palco enquanto há música. :-)

www.myspace.com/studiohunters
www.myspace.com/sqre
www.myspace.com/hacksawportugal

\m/

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16/01/2009 22:22 |Anonymous P´davis  
Não concordo de todo com o final da crónica!
Luna é uma música muito encantadora, muito bonita e não causa de todo enjoou ...
Se os moonspell gostam e a esmagadora maioria também nao vejo o porque de esse suposto e impertinente comentário!
"e um pedido à banda: larguem a Luna."
De resto tenho a dizer que gostei da crónica! ;)
16/01/2009 23:32 |Blogger Lex  
P' davis:

A razão do meu "suposto e impertinente comentário" é simples: esta é uma crónica de opinião, e essa é a minha opinião.
Não gosto da Luna, e sempre que me der na veneta hei-de mandá-la abaixo. Fazer o quê? Espero é que esteja sempre alguém aí para a defender, pois é de equilíbrios que o mundo subsiste, verdade? :-)

Obrigada pelo comentário. ;-)

Já agora, a RTP2 prepara-se para passar o concerto deles de Katowice nesta madrugada (daqui a pouco, portanto).
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