Plágio
publicado por Pdavis
Hoje venho falar de plágio. Como se deve depreender, é sempre algo difícil de ajuizar, seja em que campo artístico que for. Mais ainda, pela sua subjectividade, no mundo da música. Pois, é verdade, mas o plágio acontece e é, infelizmente, cada vez mais comum na sociedade contemporânea. Não só a nível artístico, como ainda a nível de pesquisas e mesmo trabalhos de escola. Sem saberem o teor algo criminal do que fazem, milhares de jovens enveredam pela via fácil do “copiar-e-colar” da net, produzindo dessa forma inúmeros trabalhos que depois intitulam como seus originais.

A definição de plágio mais corrente intitula-o como sendo o “roubo de ideias e opiniões. Utilizando-as sem ser dado ao autor o devido crédito”. No entanto, e como se pode calcular, torna-se extremamente difícil num universo tão povoado como é o musical distinguir entre plágio e pura influência de uma banda na música de outra inexperiente de mais para conseguir desmontar completamente essa influência e não se revelar demasiado presa a ela.

Devo agora explicar o que me motivou a escrever esta crónica. Vi, no decorrer da semana que passou, uma notícia que me deixou atónito: Joe Satriani processa os Coldplay por considerar que o hit destes, “Viva la Vida” é um rip-off da sua faixa "If I could Fly". E pasma-me que, no século XXI e no espectro da música mundial, um músico acuse assim publica e deliberadamente outros de lhe roubarem ideias! Não se pense que acho que o plágio, ou cópia de ideias, se assim preferirem, é louvável ou sequer aceitável. Nada disso. Apenas penso que, com toda a divulgação que existe aos Coldplay, e ao próprio Joe Satriani, levar este caso para a praça pública tão cedo, sem que este tenha sido sequer julgado é um erro tremendo e uma falta de consideração ainda maior, pois mesmo que o caso acabe por não dar em nada, muita gente ficará "eternamente", e passo a hipérbole, com a ideia de que os músicos britânicos são plagiários.

E até porque, indo mais longe, aparentemente o sr Satriani copiou, na pura acepção da palavra, uma faixa dos mui ilustres desconhecidos, pelo menos para mim, Enanitos Verdes. Postarei, no fim da crónica, os vídeos em que se estabelece a comparação entre as três canções.

Mas, feito o aparte, retorno ao meu raciocínio, dizendo que foi de facto um acto despropositado a acusação pública por parte do virtuoso guitarrista. O plágio é de facto deplorável, mas num Universo com tanta exposição era de esperar uma maior consideração entre profissionais.

Estabelecendo agora uma ponte para a generalização onde exporei a minha opinião, digo que o plágio é, no mundo da música, extremamente difícil de provar, porque convenhamos que há um numero finito de acordes, trastes de guitarra e, nos tempos que correm, praticamente tudo está inventado e já foi feito em todos os estilos musicais.
Deve-se, no entanto, e tal como já referi em cima, estabelecer a diferença entre plágio consciente, do género "cópia descarada", do plágio, se assim se quiser, inconsciente, ou seja, um assumir de influências num mundo onde já tudo está feito. Pouco se pode mudar, assuma-se de uma vez como facto irrepreensível. Uma banda que consiga, actualmente, ser 100% original é uma raridade, se não mesmo inexistente. E se, na escrita se torna mais fácil identificar uma possível transcrição não identificada, em termos instrumentais é extremamente complicado levar um processo deste teor até às ultimas consequências.

O plágio deve ser evitado a todo o custo, embora em muito dependa da consciência de cada um fazê-lo ou não. Muitas vezes a sede de sucesso e a falta de talento para o alcançar levam a que uma pessoa tome actos drasticamente repudiáveis, nem que seja apenas por uns cinco minutinhos de fama.
Pessoalmente, tento sempre ser original, e, reconhecendo que estou por vezes mais inspirado que noutras, em que muitos textos me saem francamente mal, e tenho de os escrever vezes sem conta para me parecerem aceitáveis, procuro não optar por essa via mais fácil, e também menos legal e honesta.

Pela originalidade, devemos sempre lutar, caso contrário não estaremos a ser verdadeiros. Nem com nós próprios, autores, seja de música ou escrita, nem com aqueles que nos seguem, seja a escutar seja a ler.
Em prol da verdade, por muito que possa já ter sido dito ou feito, que nunca se copie, por muito dificil que seja ser apenas um pouquinho original, que se tente sempre.

É este o apelo que lanço, no final da minha crónica.

Quanto à polémica Satriani\Coldplay, deixo os vídeos, e deixo aberto o debate.



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29/01/2009 17:53 |Anonymous Anônimo  
Caro Dave, Só queria meter um acréscimo á tua crónica, no único ponto que discordo. O facto de dizeres que "foi levado cedo" para a praça pública é de todo mentira, tal facto se deve, a vários videos de youtube, por parte de várias pessoas, já terem sido feitos anteriormente á acusação, de a musica ter sido um exito, de ter feito os coldplay ganhar um emmy e serem eleitos como artistas do mês na mtv. Pode ser confusão minha, e o teu conceito de muito cedo ser diferente do meu, mas só queria destacar isto.

Com todo o respeito, apreciei muito a crónica.

Fica bem
29/01/2009 19:03 |Anonymous Anônimo  
só um pequeno pormenor, porque nem é o verdadeiro tema de mais um bom texto, mas em relação ao conceito de plágio.

não diria tanto que é apenas o apresentar um trabalho de outro autor sem sua autorização nem lhe dar o devido crédito. isso fica-se pelo roubo de propriedade intelectual, e é igualmente um crime, mas na minha opinião o plágio é bem mais grave.

plágio é apresentar como seu um trabalho feito por outra pessoa. e esta é a derradeira falta de respeito pela obra de alguém.

é eu pegar na tua crónica e postá-la (integralmente, ou alterando apenas pequenas partes) dizendo que fui eu que escrevi. da forma como o apresentaste (e volto a realçar que sei que nem é esse o tema da crónica e podes tê-lo dito apenas superficialmente) seria apenas eu postar a tua crónica sem mencionar quem poderá ter sido o autor.

abraço ;)
29/01/2009 21:03 |Blogger Arts  
Os Cold Play também não têm um processo com os Creacky Boards? A musica Viva la vida também é super parecida com a Song's i didn't Write.
01/02/2009 21:07 |Anonymous Anônimo  
Alguem ouviu a musica num sitio qualquer e nao ligou muito, e pensa que sonhou com uma grande ideia, passado uns tempos depois! E pronto, plágio involuntário! Eu nunca posso ter a certeza se o que eu faço, nao terá ja sido feito...
02/02/2009 09:16 |Blogger Lex  
Querem uma Arte feita à base de plágio? Olhem para a Arquitectura. :-P
Se o Siza Vieira ou o Souto Moura quisessem chatear-se (ainda mais) com advogados, ficariam ricos a processar outros arquitectos por alegado plágio.

Mas eu tive um professor na Universidade que um dia nos disse uma coisa à qual não ligámos muito, na nossa crença de que éramos jovens e todos-poderosos, e de que conseguiríamos criar sempre coisas que nunca ninguém houvesse feito antes. Disse ele que nada é inventado, mas tudo é inspirado em coisas que vimos antes. E que ninguém pensasse que estava a inventar alguma coisa. E é verdade. Muda-se um traço aqui, acrescenta-se outro ali, mas a ideia base dificilmente é original.

Agora transponham isto da Arquitectura para a Música. Sou completamente indiferente aos Coldplay, e acho que o Satriani podia ter-me imitado a atitude. Ficava-lhe bem e até ganhava pontos, acho eu...

Bom texto.
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