Mulheres no Metal
publicado por Pdavis
Hoje venho falar de mulheres que, num campo ou noutro, fizeram e fazem carreira no som eterno. Pois é, para os mais cépticos, é verdade que há vários elementos do sexo feminino integrados no espectro da música extrema. Na crónica de hoje vou abordar esse "fenómeno", referindo alguns nomes, e exemplificando. Um texto especialmente dirigido a todos quantos achem que o metal é apenas coisa para uma data de homens brutos andarem a abanar a cabeça e a baterem-se sem motivo. Hoje vou demonstrar que no metal não se exclui ninguém e que quem tenha talento tem sempre a porta aberta para entrar.

Conforme vou mostrar a seguir, a influência feminina no metal é vasta e variada. E estende-se desde os instrumentos às vocalizações, e desde o Death Metal Melódico ao Metal alternativo sinfónico. São muitas as mulheres que se têm vindo a assumir como figuras principais de um género anteriormente cotado como apenas para homens.

Começando por um exemplo próximo, vou recorrer ao último álbum de Moonspell, "Night Eternal", e ao resultado prático que causou o aparecimento de três cantoras em todos os concertos, ou pelo menos na maior parte deles, de forma a colaborarem directamente em grande parte das faixas. No álbum, os backing vocals femininos abundam, dando continuação a uma aposta por parte da banda que já tinha começado no anterior disco, "Memorial".



Aqui está "Night Eternal" ao vivo no Rock in Rio. Peço especial atenção para a participação feminina que é mais que óbvia ao longo da música.

Mas não só de backing vocals vive a intervenção das mulheres no Metal. Muitas bandas possuem raparigas vocalistas a tempo inteiro, como por exemplo Sharon den Adel nos Within Temptation.

Esta é, no meu entender, uma das melhores vozes no metal actual, sendo que cada vez que a ouço cantar fico incrédulo. Sendo verdade que não é propriamente uma banda que prime pelo som extremamente pesado, são um conjunto de Metal Sinfónico, com composições que eu acho belas, às quais a voz magnífica de Sharon atribui ainda uma dimensão maior. Não é bem o que eu prefiro ouvir regularmente, mas não raras vezes me sirvo da voz da Holandesa para acalmar.



Passo agora para algo que sem dúvida já pertence mais à minha playlist de preferências. Senhoras e senhores, a grunhidora por excelência, Miss Angela Gossow. A vocalista de Arch Enemy, uma banda de Death Metal Melódico, levou o conceito de vocalização feminina a um novo nível. A primeira vez que ouvi Arch Enemy pensei: "Meu, este gajo grunhe mesmo bem!". E depois fui ver o videoclip. E sinceramente não acreditei nos meus olhos! Era uma mulher. Uma mulher de cabelos loiros, com ar de menina frágil transfigurava-se quando pegava no microfone e começava a disparar as suas letras com uma raiva com explosão iminente. Da primeira música, "RAVENOUS", passei para a próxima, e a próxima, e a discografia. Angela é actualmente a frontwoman de um dos melhores colectivos dos dias que correm, e uma performer espectacular, conforme está patente no seu mais recente dvd "Tyrants of The Rising Sun", ao vivo no Japão.



Passo agora para um caso de que tomei conhecimento muito recentemente. Trata-se de uma banda de Black Metal em ascensão, cuja baixista é uma mulher. Em causa estão os Abigail Williams e, por o meu conhecimento ser ainda escasso, vou-me abster de tecer muitas considerações neste campo. Deixo apenas o nome, e a sugestão, para os mais curiosos.

Por último, e tendo consciência da vastidão do campo que me propus abordar hoje, refiro ainda os Walls Of Jericho, com o seu metalcore grunhido por Candace Kucsulain, e os incontornáveis Cradle of Filth, que têm em Sarah Jezebel uma vocalista extremamente activa nas composições Black Metaleiras dos míticos Cradle.

Passando agora para a minha opinião, sou crente que a participação cada vez maior do sexo feminino no metal só vem beneficiar todos os que, de uma forma ou outra se sentem envolvidos nele. As mulheres têm vindo a trazer novos horizontes a vários subgéneros que encontravam por vezes becos sem saída. Grandes vozes nuns casos, a ferocidade suficiente para fazer arrepiar os pelos do pescoço de qualquer homem noutros, e um grande talento para a parte instrumental noutros ainda fazem com que hoje em dia o aparecimento de mulheres numa banda metal já não surpreende ninguém. Nos dias de hoje, só beneficiamos com essa participação, e essa só vem provar que o metal não tem uma mente assim tão fechada como corre por aí.

Até para a semana

Dave \m(

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12/02/2009 21:07 |Anonymous p´davis  
Passo por dar os meus parabens ao dave pela marivolhosa crónica.
Arch Enemy , pessoalmente não gosto e não acho que a rapariga tenha talento!
Quanto a Sharon ... nada a dizer as musicas , a beleza da voz, pois não ha nenhuma como a dela, dizem tudo!
Como sharon ainda esta para existir uma rapariga com igual talento que ela!
Within temptation são uma das minhas bandas predilectas...nunca me canso de ouvir e mais nada !
Excelente!
continua dave

p´davis
12/02/2009 23:07 |Anonymous bi(-atriz... not -sexual)  
cristina balzano =3
13/02/2009 00:18 |Blogger Lex  
É curioso como practicamente toda a gente que conheço teve essa mesma reacção a primeira vez que ouviu Arch Enemy! Assim como eu! :-D

Para além de todos os bons exemplos que deu o Dave, gostaria de deixar cá mais um, no campo do Metal Sinfónico/folk/medieval/whatever. São uns gajos tão bons que me deixam sem rótulo que lhes possa pôr, excepto "Metal", mesmo. :-)
Já cá falei deles algumas vezes: os Haggard. Gostaria de salientar a excelente voz feminina que os acompanha nos guturais: Susanne Ehlers, uma soprano que se soube encaixar no Metal muitíssimo bem.

E ainda em relação às meninas que hoje acompanham os Moonspell (as Crystal Mountain Singers), quero destacar a Carmen Simões, vocalista dos Ava Inferi e dona de uma voz portentosa - tanto em estúdio como ao vivo, como já pude comprovar.
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