Ser mais um na carneirada...
publicado por Pdavis
Um tema original hoje... Lembrei-me de escrever sobre este tema uma destas noites, enquanto estava deitado as voltas sem conseguir adormecer, e comecei a pensar na minha vida.

E cheguei à conclusão que, desde a mais tenra infância me esforcei por me destacar, ser algo diferente dos demais. E percebi, ao fim de alguns anos de tentativas algo frustradas, que a música era um dos melhores meios para não ser mais um na carneirada. E, assim, tentava estar sempre um passo à frente dos meus companheiros.
Deste modo, quando se começou a ouvir Linkin Park, que eu ouvia, isto nos tempos idos dos meus 12\13 anos, decidi procurar algo novo para mim, para inovar. Ou tentar pelo menos. Foi assim que descobri os Green Day (sim, eu sei que o meu background musical não é propriamente brilhante, mas enfim, era miúdo). e por aí continuei durante uns tempos, ao mesmo tempo que tinha os meus primeiros contactos com uma guitarra.
Passado pouco tempo, os rapazinhos do "Dia Verde" começaram a estar na moda por entre o meu circulo de amigos, e rapidamente comecei a cansar-me dessa situação. Como tal, estava mais uma vez na hora de encontrar novos ídolos. Seguiram-se os System of a Down. Gostava tanto das músicas deles que pensei que nunca mais iria mudar.

Mas mudei. Conheci os Metallica. E posso dizer que a minha vida mudou, quase por completo. Comecei-me a tornar naquilo que sou hoje, um metaleiro convicto. Tudo começou com "Enter Sandman", ddaí passei para "...And Justice for All", e depois "Master of Puppets". Daí até à discografia foi um passinho, muito curto.

Percebi posteriormente que toda esta intenção de "não ser mais um na carneirada" me deixava numa posição em que passava a ser "mais um na carneirada daqueles que não querem ser mais um na carneirada", como muito bem diz um dos personagens de Quino numa das histórias de "Mafalda".

Mas, no entanto, estava feliz ouvindo Metallica, e pensando que precisava de conhecer melhor aquele novo estilo que perante mim se abria. Pensava (oh, pobre ignorância) que o Metal era um só, ignorava por completo os subgéneros, e tudo o que queria era descobrir mais que tocassem como aqueles quatro. Quando comecei, aos poucos, a descobrir toda a teoria metaleira, já pouco me importava com ser ou não ser mais um no magote. só queria perceber as diferenças, conhecer de tudo um pouco, ouvir, desfrutar da minha recente paixão. Mudei de escola, algumas pessoas mudaram também, e fui conhecendo mais e mais mundo metálico.

E começou a afigurar-se perante mim que não estava sozinho. Havia mais rapazes como eu, aspirando a metaleiros, a ouvirem o mesmo que eu, e mesmo algumas coisas diferentes. Íamos trocando nomes de bandas, de faixas, reuníamo-nos para tocar, ou escutar. Íamos a concertos, e cada vez me sentia ais integrado.

E fui percebendo que no fundo o que conta não é ser ou não mais um na carneirada, é sim a carneirada em que nos encontramos. E eu sentia que tinha descoberto a minha. No metal, seja ele qual for, o sentimento de unidade é sempre tão grande e forte que se torna numa energia de cariz especial. Só quem vai lá, aos concertos, ou quem ouve os discos em grupo, com um "coro" de abanar de cabeças, de cânticos no ar. Quem vai aos festivais, sente a atmosfera perfeita de antecipação antes da banda preferida, anseia ardentemente pela subida desta ao palco enquanto tira notas mentais em relação às bandas de abertura que, por uma razão ou outra, cativaram.

Há entre todos nós um sentimento de reconhecimento, respeito, irmandade. Estamos juntos, a ouvir o que gostamos, e estamos bem. Se somos uma carneirada, então que sejamos, mas somos a mais digna de todas.

A vós, irmãos metaleiros, agradeço, e apelo a que nunca deixem morrer este sentimento. Esta beleza que cativa. Aquilo que faz apetecer ir ao concerto mesmo antes de se conhecer de cor as faixas que vão ser tocadas. A vós, irmãos metaleiros, o meu muito obrigado por me terem acolhido entre vós, e por fazerem com que seja possível a existência desse glorioso som eterno.

A vós, rapazes que são como eu fui um dia, fica a promessa de que serão também acolhidos.

Finalmente, a vós, irmãos metaleiros, o meu respeito.

Porque a nós nada nos pode parar, ou separar.

E posso dizer, com um orgulho imenso que me enche a alma, que sou apenas mais um nessa imensa carneirada dos que ouvem e veneram o Metal. E estou feliz por isso.



Dave \m/

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04/02/2009 22:23 |Blogger Lex  
Bela crónica, Dave.

Mas sabes uma coisa? Às vezes tenho a impressão de que, por mais que falemos (ou escrevamos), por mais que tentemos fazer passar aquilo que une esta comunidade, só quem lá está compreenderá o tal sentimento de irmandade e dedicação.
E agora falando para todos: não é uma questão de querermos dizer que somos melhores do que os outros ou de que somos tão 'além' que mais ninguém tem capacidade mental para nos compreender... Não se passa nada disso, acreditem ou não.
Mas nunca vos aconteceu sentirem algo tão forte e pessoal que não haja palavras para o traduzir devidamente?

Só tenho um "reparo" a fazer-te, Dave: não excluas as mulheres. Somos poucas, mas estamos lá com tanto empenho e dedicação quanto os homens. Sei que ainda é capaz de vigorar esta ideia generalizada, mas já há algum tempo que a presença das mulheres no Metal deixou de se limitar áquelas que acompanham os namorados metaleiros aos concertos ou aos bares. :-)
04/02/2009 22:36 |Blogger Dave \m/  
Claro Lex, tudo o que digo aos "irmãos metaleiros" está subentendido às "irmãs metaleiras". Somos todos um só povo, homens e mulheres, no metal a distinção não interessa muito. Estamos todos unidos para o mesmo.
E quanto à evolução da presença feminina, é de louvar, e até encontramos na Angela Gossow (vocalista de Arch Enemy), um grande exemplo de como uma mulher pode ter grande sucesso num mundo anteriormente considerado de homens. ;)
05/02/2009 02:49 |Anonymous DARKfm  
Amen, irmão Dave.
Realmente apreciei a tua crónica, porque, na mesma forma, também tentei ser daqueles que se queria afastar dar carneirada e ouvir este e aquele.
Descobri, não sei com que idade, mas foi cedo e ainda foi através de amigos e partir dai fui pesquisando e quando dei por mim já estava a mostrar os vários estilos a várias pessoas (lembro-me de colegas de escola ficarem estupefactos com "hammer smashed face" dos Cannibal Corspe, tirado do album ao vivo que comprei, porque sim tambem compro cd's).
Basicamente, somos um povo grande, somos unidos, espancamo-nos no mosh com grande amizade.
Mas no sitio onde vivo, são poucos os que são realmente metaleiros convictos (e ainda tenho dúvidas sobre mim), mas sempre que viajo e encontro os "nossos irmãos e irmãs" (não quero excluir a Lex), é sempre bom e consegue-se falar realmente em Metal.

Não me tiraste as palavras Dave (o bárbaro?), mas eu próprio não conseguiria expressar-me assim.

Bem vindo!
05/02/2009 20:13 |Blogger Thaurer  
ahh...

a familia do metal.


nada me aquece o coraçao como a boa e velha fraternidade metaleira.
eheh
10/02/2009 16:31 |Blogger Tuga Thunder  
Grande crónica, sim senhor

Visitei agora o Galáxia Artes, pla primeira vez e fascinei-me aqui pelo vosso espaço, especialmente a música. Agora já sou leitor assíduo

Grande música do Manowar, não conhecia.

Metaleiros!
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