A indústria musical: um enorme jogo de xadrez
publicado por Pdavis
Ontem, ao ler a ode "Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia", de Ricardo Reis, na qual se efectua uma comparação metafórica da vida a um jogo de xadrez, na medida em que se defende que esta deve ser levada com a tranquilidade e racionalidade do jogo, estabeleci de imediato uma outra ponte, esta mais concreta, entre o popular jogo de tabuleiro e a indústria musical.

Ao começar a expor a minha tese, importa referir que a primeira ligação que encontro é o facto de cada passo dos artistas ser actualmente decidido por pessoas exteriores às bandas. Agentes, editores e promotores são apenas alguns exemplos do domínio da indústria sobre aqueles que fazem a música. Ora, este facto faz-me lembrar do controlo de um jogador de xadrez sobre as suas peças, estando na sua mão guia-las até à vitória, ou até ao sacrifício final. Ou seja, está à responsabilidade do jogador, e não daqueles que realmente jogam, decidir os caminhos a seguir, e mesmo o sucesso ou não da campanha.

Passando para a seguinte conexão, afirmo que, como no xadrez, também no espectro da música ninguém olha a meios para atingir os fins. Por outras palavras, da mesma forma que as peças de xadrez tomam o lugar de quem lhes aparecer à frente, sem vergonha ou remorsos, é raro encontrar entre os artistas de hoje em dia quem seja íntegro o suficiente para não "queimar" quem quer que seja necessário, para subir na carreira. Mas, mais uma vez refiro o importante papel das influências exteriores, comparáveis aos jogadores a comandar as suas peças.

Simultaneamente, devo estabelecer mais um paralelismo, referindo-me desta feita ao papel do Rei. É, por razões óbvias, a peça mais apetecível de "tomar", por ser o topo da cadeia alimentar, por assim dizer. Também na música assim é, uma vez que a banda que esteja no topo do catálogo mundial é manifestamente aquela que mais aspiram a derrubar, para ocupar o seu lugar. Ou, no caso do xadrez, ganhar o jogo.

Para finalizar a argumentação, vou ainda falar de mais uma semelhança, desenvolvida não por mim mas por um colega meu (sim, porque o reconhecimento é devido a todos aqueles que o merecem, e este rapaz em especial merece-o bastante), em que a perda de peças, bem como a tomada das mesmas do adversário, se equiparam às pequenas derrotas e vitórias quotidianas da vida, o mesmo se aplicando à indústria musical, representando os sucessos ou flops, os concertos cheios ou em casas com dez pessoas (passe o eufemismo).

E assim termino um texto que, embora curto, espero que seja do agrado dos leitores, e que, mais importante, origine debate e reacções em relação à teoria.

Lanço ainda um apelo aqueles que nos visitam, para que comentem e nos ajudem a manter o BGA vivo.

Dave \m/
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